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Caso Will Bank: O que fintechs precisam saber sobre liquidação extrajudicial e as novas regras do banco central em 2026

23/01/2026

A liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada no dia 21 de janeiro pelo Banco Central, marca um momento de reflexão importante para todo o setor financeiro digital brasileiro.

Com R$ 6,5 bilhões em CDBs e 12 milhões de clientes impactados, o caso expõe fragilidades que vão além de uma instituição específica e revela a necessidade urgente de fortalecimento da governança, compliance e transparência em todo o ecossistema fintech.

O que aconteceu com o Will Bank?

Esta semana, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, gerando impactos significativos, como:

  • R$ 6,5 bilhões em CDBs comprometidos
  • 12 milhões de clientes afetados em todo o país
  • Contas, transferências, cartões e novos contratos bloqueados imediatamente

O caso se conecta à liquidação anterior do Banco Master, ocorrida em novembro do ano passado, e expõe fragilidades estruturais que o setor financeiro precisa enfrentar com urgência.

 

Liquidação Extrajudicial: o que significa na prática?

Diferente da recuperação judicial – que busca preservar a atividade empresarial sob supervisão do Poder Judiciário -, a liquidação extrajudicial é decretada pelo Banco Central quando há situações específicas que comprometem a continuidade da instituição financeira.

Quando o Bacen decreta a liquidação extrajudicial?

A medida é aplicada quando:

✓ Há comprometimento irreversível da situação econômico-financeira
✓ Há violações graves às normas regulatórias
✓ Há prejuízos que ameaçam credores
✓ Não há viabilidade de recuperação da instituição

Qual a consequência imediata?

  • O encerramento das atividades,
  • A retirada da instituição, de forma organizada, do Sistema Financeiro Nacional e
  • A utilização do ativo para pagamento de credores sob ordem legal de preferência, conforme determina a legislação bancária.

 

Quem é afetado pela liquidação do Will Bank e como?

Clientes e Investidores

Necessitam fazer a habilitação de créditos no processo de liquidação, respeitando a ordem de preferência legal estabelecida pelo Banco Central.

Controladores e Administradores

Enfrentam indisponibilidade de bens e potencial responsabilização civil e administrativa pelos atos de gestão.

Fintechs do Setor

Sofrem aumento do rigor regulatório e das exigências de governança corporativa por parte das autoridades.

Investidores Institucionais

Precisam revisar processos de Due Diligence, com análise mais profunda da estrutura jurídica, regulatória e operacional das instituições financeiras e de pagamento.

 

Novas regras do banco central para fintechs em 2026: o que muda?

O Banco Central está implementando uma série de mudanças regulatórias que elevam significativamente o patamar de exigência para instituições de pagamento, prestadores de serviços de ativos virtuais e parceiros de Banking as a Service (BaaS).

 

Governança Corporativa

Fintechs precisarão estruturar departamentos de compliance com as mesmas exigências aplicadas a bancos tradicionais, incluindo políticas formais, comitês e controles internos robustos.

 

Capital Mínimo

Adequação aos novos níveis de capital social exigidos conforme o tipo de autorização concedida pelo Bacen, garantindo maior solidez patrimonial.

 

Cibersegurança

Implementação e comprovação de controles técnicos de segurança da informação, com auditorias periódicas e relatórios de conformidade.

 

Transparência Contratual

Identificação clara de responsabilidades ao consumidor final, acabando com a prática de “contas-bolsão” onde não há clareza sobre quem é o responsável pela relação contratual.

 

PLD/FT (Prevenção à Lavagem de Dinheiro)

Implementação de controles rigorosos de prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo, com sistemas de monitoramento avançados.

 

Por que a adequação regulatória é estratégica para fintechs?

A adequação regulatória não é apenas obrigação legal, é uma oportunidade estratégica para posicionamento competitivo.

Empresas que se anteciparem às mudanças:

✓ Constroem confiança com investidores e clientes
✓ Reduzem riscos operacionais e reputacionais
✓ Ganham vantagem competitiva no mercado
✓ Preparam-se para crescimento sustentável

O caso Will Bank reforça uma lição importante: 2026 exigirá das fintechs um novo patamar de governança e conformidade regulatória.

Empresas que se anteciparem às mudanças não apenas cumprirão obrigações legais, mas construirão bases mais sólidas para crescimento sustentável, conquistando confiança de investidores, parceiros e clientes.

O momento exige:

  • Revisão completa dos processos de governança
  • Investimento em tecnologia de compliance
  • Capacitação de equipes para o novo cenário regulatório
  • Assessoria jurídica especializada em direito bancário e fintechs

 

O DGN acompanha de perto as transformações do setor financeiro digital para entender os desafios e oportunidades deste mercado em constante evolução.

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